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‘XI Rally Internacional’
Classic Car Club RS
De 25 a 27 de agosto 2011

Na semana de 25 a 27 de agosto realizou-se o XI Rally Internacional organizado pelo Classic Car Club RS, mais uma espetáculo a céu aberto e como protagonistas automóveis de catálogo emoldurados em paisagens cinematográficas e reunindo pessoas da melhor qualidade, amigos que se reencontraram. A gente começa o rallye sentindo saudades antes de acabar.

Dia 25 (quinta-feira)
Este rallye trouxe um gosto especial, além da organização primorosa que já é tradicional quando falamos em Classic Car Club RS e Mauricio Milano, o diretor de prova.
A vistoria e plotagem dos automóveis aconteceram nas dependências do quarto andar do estacionamento do Shopping Zaffari Bourbon Country em Porto Alegre e o cocktail de ‘boas vindas’ na ‘Microcervejaria Dado Bier’ no mesmo shopping center. A turma toda reunida vinda de vários estados brindou o reencontro com muitos ‘boa sorte’ para o dia seguinte. Risotos de vários tipos e cores acompanhados da melhor cerveja do sul do Brasil convidavam-nos a permanecer no recinto, mas contrariando o desejo, todos foram embora cedo.

Dia 26 (sexta-feira)
No dia seguinte a adrenalina a mil em direção ao autódromo do Velopark para a prova de Precisão Condutiva. O presidente do CCCRS o amigo Rodrigo Cirne nos guiou do hotel ao posto de gasolina até o autódromo. Chegando ao local vislumbramos uma cena difícil de se repetir nos eventos estáticos, exemplares espetaculares prontos para entrar na pista e mostrar a que vieram , ou seja, velocidade máxima com destreza na pilotagem e atenção do navegador que se dispusesse a entrar na pista. Quase todos compareceram, mas foi um sucesso comparado ao ano passado que muitos declinaram devido à forte chuva.

Terminada a prova no Velopark seguimos para a vinícola Casa Valduga em Bento Gonçalves.
Saímos do Velopark com um Deslocamento e uma parada no posto de gasolina para zera o cronômetro e dar o via!

A caminho do Vale dos Vinhedos, uma paisagem deslumbrante.

Chegamos ao local para o almoço, muito bem recepcionados na vinícola Casa Valduga. Os automóveis enfileirados sob as árvores proporcionaram aos visitantes e participantes uma bela paisagem. Detalhe, a previsão para este dia era de muita chuva, ao contrário do previsto o sol apareceu trazendo um calorzinho muito agradável.
Estas paradas são muito legais porque são a grande oportunidade para trocar umas idéias com os competidores e também os concorrentes da categoria.
O almoço com um ‘menu’ muito bem elaborado e atendimento soberbo, perfeito!
A vinícola Casa Valduga existe desde 1875 e foi a responsável pelo primeiro Complexo Enoturístico do Brasil e hoje é uma das maiores atrações do Vale dos Vinhedos. A construção é de muito esmero, pena que não pudemos apreciar as instalações por absoluta falta de tempo. Ficará para próxima!



Após o nosso almoço seguimos em frente rumo a Gramado. A seguir algumas fotos e o vídeo da nossa descida em fila seguindo a maravilhosa Ferrari 208, o Jaguar Mark II, Alfa Romeo GTV e por fim o Triumph Stag. Parada no posto de gasolina para quem quisesse abastecer e verificar os líquidos dos motores, os frentistas estavam em estado êxtase ao testemunharem tantas máquinas espetaculares estacionando em frente às bombas de combustível. Consultei o dono do meu auto para verificar a água do radiador, calibragem dos pneus e coisas a fim. Riu-se de mim e disse só se arrancarmos o selo do radiador, fiz cara de paisagem e subentendi que a máquina executa um processo de camelo no deserto. Abasteci e segui.

Seguimos em direção à Feliz. Havia um trecho na estrada que estava em obras, na vinda em direção a Casa Valduga para o nosso almoço já havíamos sofrido uma perda de preciosos minutos parados na estrada, inclusive foi tão light que conversei com um amigo via rádio por um bom par de minutos, mas o retorno pareceu-me que deu uma sensação de ‘prejuízo à vista’. A fila era imensa perdia-se de vista e a minha navegadora Patrícia sugeriu que seguíssemos pelo acostamento para ganhar posições. Segui à risca a sua sugestão e com muita tranqüilidade chegamos ao 3º lugar naquela fila desesperadora, para nossa felicidade a bandeirada foi dada para liberar a pista. Via!
Saímos em alta velocidade para ganhar vantagem sobre os nossos concorrentes que se encontravam muito atrás. Pista liberada, a sensação de ‘traquinagem’ aliada à vantagem por esperteza tomou conta da dupla. Mas os deuses castigam, ah castigam! A entrada para Feliz era uma saída à esquerda no centro da pista muito particular, passamos reto.
Quando nos demos conta já era tarde demais, para encontrar o bendito retorno andamos muito e o pior paramos no acostamento para fazer uma manobra e logo atrás parou um automóvel ‘a paisana’ com uma motorista sedenta para falar ao celular. Não poderíamos dar a marcha a ré para no retorno, solução? Buzinar com fervor e gesticular freneticamente para que a motorista desobstruísse o acostamento. Ela obedeceu felizmente. A nossa frente um concorrente direto sofria os mesmos danos. A reta para retomar a entrada de Feliz mais pareceu uma pista de aeroporto que outra coisa, dois V8 brigando para não perder pontos, emocionante! Quando entramos na famigerada entrada para Feliz (detestei o nome naquela hora) pisamos mais fundo ainda, numa curva a esquerda visualizamos uma paisagem paradisíaca, mas ao mesmo tempo atípica; dezenas de automóveis do rallye estacionados num espaço além do acostamento. O diretor da prova acenando e ordenando para que entrássemos no espaço. Resumindo aquele trecho de recuperação, esperteza e traquinagem foi cancelado. Adrenalina a mil e frustração idem. Todos expressavam a mesma sensação: frustração, os que erraram como nós e aqueles que chegaram corretamente. Mas não seria justo com a maioria por causa das obras na estrada. Enfim, paramos trocamos figurinhas e tocamos em frente, o que valeu a pena foi ver aqueles automóveis espetaculares dividindo espaço num escape à direita da pista, lindo!

A nossa CHEGADA à Praça Central de Gramado foi uma mistura de ‘missão cumprida’ com sabor de ‘quero mais’, menos mal repetiríamos a dose no dia seguinte em com um ‘plus’ de roteiro. Na realidade percorremos 620 km. neste rally, uma maravilha!
Chegamos todos animados, felizes e loucos por um líquido bebível que aquecesse o corpo, o frio estava em nossa cola e a neblina baixando a passos largos. A grande maioria do grupo permaneceu por pouco tempo no local, preferiram se recolher no hotel para o descanso justo e merecido. Atenção especial aos uruguaios que formam um grupo divertido e simpático, interagiram com todo o grupo dentro e fora do asfalto.
Distância Aproximada Percorrida: 250 km

Dia 27 (sábado)
Após a noite de descanso para uns e trabalho para outros, madrugamos para a última etapa deste rallye, infelizmente. Deveria durar de 5 a 7 dias justificativas não são necessárias. A fria manhã prometia muito trabalho e atenção. Nos reunimos na Praça central de Gramado às 08:30 min. para o briefing e a largada do primeiro automóvel às 09:01min.. Gente com cara de sono não faltou, mas todos igualmente felizes e ansiosos.

Seguimos em direção a Canela rumo a Torres no litoral gaúcho às margens da BR 101. Passamos por São Francisco de Paula, pena que não estava no roteiro uma visita a Tato’s Garage o museu particular de meu amigo Tato. O tempo é curto por isso não é possível, mas quem for até a cidade não deixe de visitar, imperdível. Deslizamos sobre um asfalto que mais parecia um tapete, uma delícia de percurso, céu claro, clima ameno e autos espetaculares estávamos em “Campos de Cima da Serra” quer mais? Paradinha para tirar fotos com os amigos.

Tomamos o rumo à Estrada do Mar em direção à BR 101 via Tainhas, lembro-me exatamente deste trecho no ano passado quando me distraí na entrada para Tainhas e fiz o meu piloto errar a entrada, e pior induzi ao erro a dupla próxima a nós, um mico enorme! Já fui perdoada por todos os envolvidos.
Parada no Café Tainhas para molhar a garganta e esticar as pernas, o calor era tão grande que fui obrigada a comprar uma camiseta na lojinha do café, para mais tarde em menos de trinta minutos procurar um casaco para enfrentar o frio e vento cortantes! Coisas de nossa região Sul, um charme!

Seguindo para Aratinga – BR 101 Litoral. A grande surpresa estava por vir, pelo menos para nós ‘turistas’ ralizeiros, estávamos a 1.000m. do nível do mar e iniciaríamos a descida.
No livro de bordo a recomendação: ‘Aproveite e aprecie a paisagem da Rota do Sol e da Serra do Pinto’. Palavras não bastam as imagens descrevem, veja no vídeo abaixo. Tentei pilotar com o máximo de segurança sem perder a chance de fazer algumas imagens.

Ainda na ‘Rota do Sol’ fomos surpreendidos por uma mudança brusca no clima, as nuvens encobriram o sol e a temperatura despencou. Uma pausa no acostamento para comentarmos também a descida da serra que foi um espetáculo à parte.

Seguimos em direção à praia de Torres para o nosso almoço no Restaurante Souza. Em nosso roteiro uma parada no ‘belvedere’ do Morro do Farol para apreciar Torres de frente para o mar.
Chegamos ao restaurante e o pelotão que largou à nossa frente já estava almoçando, muitos já se preparavam para retomar o rallye. Boa comida, ambiente aconchegante.
Interessante; à nossa direita um rio atravessava cortando a geografia, nosso amigo Rosario Veppo nos informou que estávamos do lado gaúcho da praia o outro lado do Rio Mampituba já era Santa Catarina. Rallye também é cultura!

Terminado o almoço seguimos em frente e desta vez para retornarmos a Gramado.
BR 101 e Estrada do Mar sentido a Porto Alegre. Em Deslocamento nos encontramos em um posto de gasolina para quem precisasse de abastecimento aquela era a hora.

Retomar o fôlego para subir a Serra do Pinto novamente na Rota do Sol, lá em cima o sol estava nos esperando para as despedidas. Mais um festival de beleza com a natureza nos reverenciando lá do alto. Não resisti e fiz uma breve tomada de imagens durante o nosso percurso, valeu a pena.

Fim do Deslocamento no Café Aratinga para retomarmos a Zona Controlada nº 11.
Estávamos chegando ao nosso destino. Felizes porque estávamos muito próximos de cumprir o nosso objetivo e concluir esta longa prova, mas tristes porque estávamos próximos do final de mais um rallye internacional.

Atravessamos Canela para ingressar em Gramado até o nosso destino final, a Praça Central de Gramado. Avistamos um grande movimento do público que vibrava com cada automóvel que cruzava a linha de chegada, um final de tarde espetacular com um cenário igualmente espetacular. Final de prova.
Distância Aproximada Percorrida: 370 km

A Premiação.
Os competidores começaram a chegar no Hotel Siena Laghetto às 20:30min. para o Jantar de Confraternização e Entrega de Prêmios.
Rodrigo Cirne Lima presidente do Classic Car Club RS iniciou a cerimônia de premiação agradecendo a presença de todos os competidores, que sem sombras de dúvidas são os protagonistas deste belo espetáculo.
Antes de iniciar a premiação por categoria e por fim a geral, Rodrigo Cirne Lima e o diretor técnico Fernando Cammerer homenagearam o colecionador carioca José Candido da Silva Muricy com o troféu ‘Fair Play’, o significado desta homenagem trouxe-me a sensação de que eu estava no lugar certo e com as pessoas certas. Muricy é um dos ícones do antigomobilismo no Brasil, iniciou a prática deste hobby em 1968 e desde então fundou clubes, percorreu milhas e mais milhas com seus antigos, participa de rallies na Europa e na América do Sul e tantas atividades por amor incondicional às velhas máquinas.

As Mulheres no rally internacional. As ‘cerejas’ do bolo, entre os 20 primeiros lugares no resultado GERAL. Incrível como estão a cada ano mais presentes e trazendo resultados espetaculares como exímias navegadoras. Destaque para Maria Fernanda Recena a grande vencedora na cat. E e 2º Lugar na Geral no Chevrolet Bel Air 1954 com seu marido o piloto Paulo Menezes. Maria Luiza Menzes, filha de Maria Fernanda e Paulo navegou com Oscar Leke no Puma DKW 1967 chegou em 13º Lugar na Geral. Regina Helena Macri Natali navegadora de Wanderley Natali seu marido na Alfa Romeo 2600 Spider 1964 marcou o 10º na Geral. Vera Nonaka navegadora de Julio Berriel marido e piloto na Mercedes-Benz 500 SEC 1982 marcou o 11º.
Simone Bumbel navegadora no MGA 1959 com Marcelo Manteli seu marido e piloto chegaram em 16º. Parabéns meninas!

A presença dos uruguaios no rallye além da performance espetacular das equipes, são campeões por onde passam, trouxe alegria e muito bom humor. Representantes do CUAS ( Club Uruguayo de Automóviles Sport), Sport & Classic Car Punta del Este e Montevideo Classic Car Club, compareceram com Ferrari 208, Chevrolet Nova, Mercedes-Benz 230 S, Fiat 128, Ika Renault Torino, Subaru Impreza, BMW 2002 e Jaguar MKII.
Os grandes vencedores, 1º Lugar no resultado Geral do XI Rally Internacional foi a dupla Daniel Cabeda e Daniel Katunar a bordo da Mercedes-Benz 230 S 1966 Cat. F. Parabéns aos amigos!

Resultados

Geral

A única dupla feminina foi formada por Elisa Asinelli do Nascimento (piloto) e Patrícia Furtado (navegadora) a bordo de um Triumph Stag 1973 nº 29. Esta formação aconteceu graças ao convite feito em maio na ocasião do X Rally da Serra por Mauro Weck, proprietário do Triumph, membro da diretoria do Classic Car Club RS à Elisa. Até então sempre fui navegadora no meu VW 1959 nos CBR-FBVA durante todo o ano de 2010 e ocupar o posto de piloto soava como desafio e realização de um sonho antigo. Gosto de dirigir, pilotar então... Aceitei com muito gosto, mas existia uma condição: dupla feminina. Como as melhores navegadoras destes rallies de automóveis históricos já estão comprometidas com suas duplas, fui atrás das melhores em outras categorias. Na primeira tentativa houve desistência a menos de 40 dias do rallye. Eu temia pelo pior, ou seja, abortar a operação Triumph Stag dupla feminina. Felizmente a navegadora mineira Patrícia Furtado atendeu ao meu chamado. Patrícia forma dupla com Angela Mendonça nos rallies da CBR-FBVA e são temidas pelos ótimos resultados.
Chegamos como ‘estreantes’ no conjunto piloto+navegadora+automóvel, pois os três não estavam familiarizados, mas a empatia foi imediata, todos os três deram-se muito bem. Conseguimos fazer um excelente rally sem avarias no automóvel, não nos perdemos durante a Zona Controlada, chegamos até o final, pontuamos e nos divertimos muito! Nossos resultados: 17º na cat. G e 30º na Geral. Meus agradecimentos a Mauro Weck e Rodrigo Cirne Lima que idealizaram e acreditaram na dupla. O Tripumph nº 29? Um dos automóveis mais espetaculares que tive a oportunidade de dirigir, um legítimo Puro Sangue Inglês, forte, estável, potente (V8), confiável, confortável e sem dúvidas de uma estética perfeita.

Estas atividades esportivas no antigomobilismo nos mostram cada vez mais que é possível sim realizar sonhos e fazer amizades para toda uma vida. Nesta longa viagem de Curitiba até Porto Alegre fui convidada a integrar uma equipe de peso: Milton Tesserolli Filho a bordo de seu Range Rover e a carreta com o MG Midget 1968 pela segunda vez consecutiva para participar de um rally de históricos. Saímos de Curitiba às 05h00min min. do dia 25 (quinta-feira) sob chuva e neblina. Teríamos que cumprir horário na chegada a Porto Alegre para apanhar a filha/navegadora de Milton, Lim no aeroporto. A viagem foi tranqüila e chegamos a tempo de encontrar Lim e seguirmos para o shopping. Na manhã seguinte todos no Velopark para a Prova de Precisão Condutiva, o MG Midget chegou um pouco atrasado, mas entrou na pista e fez bonito.
Ao longo da prova em direção à Bento Gonçalves o nosso pequeno inglês começou a apresentar problemas elétricos e infelizmente não conseguiu prosseguir. Muito foi feito para que fosse solucionado o problema, o pessoal do CCCRS, mecânicos e amigos tentaram, mas não foi possível. Não deveria estar no script, mas sabemos que quando colocamos estas jóias para rodar estamos sujeitos às panes e outras manhas.
Voltamos para casa em segurança com o MG Midget na carreta e a certeza de que no próximo desafio ele estará presente e em plena forma.















Agradeço e parabenizo o Classic Car Club RS por mais este evento de qualidade e exímia organização. Veremos-nos no XII Rally Internacional em 2012.

Agradecimentos aos meus patrocinadores que sempre acreditaram na minha participação nos rallies, independente da minha função dentro do habitáculo.
São eles: Fronteiras Comércio Exterior, Phoenix Cromagens e Revista Classic Show.

Elisa Asinelli do Nascimento
Antyqua
Agosto 2011

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