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Stout Scarab, assim nasceram as Minivans!

Sou da opinião de que quando algo é bom, há de ser reconhecido, tomar o relevo ou apropriar-se de algo que não é teu, na verdade não tem muito mérito… e como sabem, antes de escrever qualquer coisa, pesquiso muito, creio pessoalmente, que é uma questão de respeito com meus leitores e também com Antyqua.

Em uma destas insaciáveis pesquisas sobre autos e especificamente sobre o simpaticíssimo “Stout Scarab”, encontrei uma reportagem bastante completa, que lhes deixo à continuação, ao final da reportagem de Pepe Forte, acrescento alguns comentários oportunos.

“STOUT SCARAB: A mãe das minivans?
Por PEPE FORTE

“Necessito de mil dólares para meu projeto, mas uma coisa lhes posso garantir: nunca recuperarão seu dinheiro”.

Assim escreveu William B. Stout aos executivos de Detroit nos anos 20, o que demonstra que não só era um gênio, se não também um tipo com humor. Visionário — acaso com una dupla aceitação de futurista e demente—, este homem, tal vez um pouco ao “Nostradamus do mundo dos automóveis”, pode ser considerado o pai da minivan quando em 1935 criou o precursor Stout Scarab.

Mas, quem era Stout? Inventor prolífico, Stout nasceu em Estados Unidos em 1880 e faleceu em 1956. Engenheiro chefe da Divisão Aeronáutica de Packard Motor Car Co., Stout acredita varias patentes na industria de aviões. Sua contribuição ao célebre trimotor Ford foi crucial. Mas os automóveis o fascinavam e tratou de aplicar a engenharia do ar aos veículos do solo. Editor da revista Motor Age, fundou em 1932 os Stout Engineering Laboratories, onde ensaiou o que para muitos eram puras alucinações que nunca se concretizaram, houveram outras que sim levou a cabo. Ali construiu seu primeiro Scarab.

E que era o Scarab? Muito antes que Volkswagen apresentasse sua Kombi, nos anos 50 ou que Chrysler inaugurasse a minivan nos 80, o Scarab foi o pioneiro dos veículos familiares multi-lugares. Construído com metais de avião, movia-se graças a um motor Ford V8 de 221 cu. e 100 HP que, localizado na parte traseira, acoplava com uma transmissão de 3 velocidades; por anos formulação típica de Detroit. O Scarab era mais arredondado que os veículos de seu marco histórico. Parecia-se a um saudável e hidratado pepino metálico. Estamos falando do ano do nascimento do DC-3 e de um instante em que o mundo inteiro estava fascinado com formas nitidamente oblíquas como a dos dirigíveis de Graf Zeppelin e os americanos Macon e Shenandoah (Por casualidade não se lembram daqueles aspiradores em forma de berinjela? Pois então...).

Se ha um verdadeiro auto ao que se possa chamar escaravelho, é este, pois isso é o que significa scarab. O Scarab pretendia ser distinto, e sim que era! Para os que nunca viram um Scarab em carne e osso — ou melhor, em metal e borracha —, e que só contemplaram unicamente em fotos, não há muitas esperanças, pois existe mais probabilidade de ver ao Papa pessoalmente que topar-se com um Scarab. E justamente aqueles que nada mais o contemplaram em imagens, o auto da a impressão de pequeno, como um brinquedinho. Não o era, somente parecia. Em realidade era largo e comprido, com 135 polegadas de distância entre eixos para uma dimensão total de 7 por 5 pés, e também era alto por dentro. Provavelmente tenha sido o auto norte americano mais espaçoso da sua época. Possuía suspensão independente de amortecedores de espiral, o sistema flexi-seating permitia várias configurações de acentos, e vinha com uma mesinha para jogar cartas que seus ocupantes podiam acomodar dentro, como melhor desejassem... adiantando-se ao Honda CRV e a Chrysler Town&Country em meio século! Como o motor estava atrás, carecia do túnel para a barra de transmissão e por isso oferecia um piso (SOLO,CHAO) plano.

Contava ademais com um vanguardista sistema de ventilação dotado de filtros contra o pó e insetos, travas elétricas, e isolamento térmico e sonoro. Mas todos estes avances não vinham em um pacote econômico. Era caro. Seu preço de $5.000 ultrapassava aos opulentos Duesenbergs, Auburn’s, Lincol’ns e Cadilla’cs do momento.

Não se construíram muitos, nem uma centena deles. Hoje só em mãos de colecionadores, o Scarab pode custar, ¡uff!, qualquer coisa. Mas isso não importa. O que realmente importa é que apesar de que ao vê o primeiro impulso é exclamar, “Que feio!”, Ha de reconhecer-lo como protagonista precoce de uma fórmula de sucesso”

Interessante, não?

Aporto à magnífica reportagem de Pepe, a informação adicional que encontrei, de que o Stout Scarab, além de ser raro por seu aspecto, é raro também pela quantidade fabricada, já que somente foram fabricados 9 autos e este é um de seus distintivos, que chamou muito a atenção de seletos compradores.

Os Stout Scarab, só eram vendidos através de um convite, selecionando assim a pessoas influentes, toda uma jogada de Marketing e como diriam meus professores, uma tremenda estratégia de mercado – segmentando a demanda.

Só tenho uma coisa a discordar de Pepe, se me permite, não vejo o Stout Scarab tão feio assim, me parece muito gracioso.

Anexo aqui uma tabela indicativa do Stout Scarab:

E mais,… se assim como eu, sois do tipo que buscam e voltam a buscar… aqui vai um link de um vídeo do Stout.

Um grande abraço e para o próximo artigo, nos encontraremos com Chrysler Airflow Imperial (1934), um carro que se adiantou a sua época, denominado pela própria General Motors como “o doente no tempo”!

Um forte abraço a todos

Danielle Pimentel
Antyqua – Europa

danielle@antyqua.com.br
William B. Stout (1880-1956)
1935 - Stout Scarab - interior
Stout Scarab - emblema
Stouts Carab -vi 1936
stoutscarab2-vi 1936
stoutscarab3-vi 1936
Stout Scarab 1936
Stout Scarab 1936 - interior
Stout Scarab 1936 - Popylar Mechanics Drawing
Stout Scarab - Adv
stoutscarab3-vi 1936
1935 Stout Scarab DV-06
1935 Stout Scarab - painel
1935 Stout Scarab - lateral
1935 Stout Scarab - interior
1936_Scarab

Fonte das Imagens: Automotive History

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