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O CAMPINEIRO VOADOR
Por: Carlos Henrique Mércio-Caranguejo


O campineiro Benedicto Moreira Lopes foi um pioneiro do automobilismo nacional e o primeiro piloto brasileiro convidado a correr na Europa. De origem humilde, nascido em 1904, “Dito” Lopes contrariou o desejo dos seus pais, que o queriam um músico e acabou dominando a mecânica de automóveis. Habilidoso, iniciou-se na profissão reformando e revendendo carros após a Revolução Constitucionalista de 1932. Em pouco tempo já possuía a própria oficina e sua destreza ao volante empolgou um de seus clientes, Dante de Bartolomeu, que não só o encorajou a tornar-se piloto como cedeu-lhe um velho Bugatti para suas primeiras corridas. Sua estréia foi um verdadeiro batismo de fogo: inscreveu-se no GP do Rio de Janeiro de 1934, disputado no temido Circuito da Gávea, com todos os seus tipos de piso e curvas diferentes. Com o defasado Bugatti, pouco pode fazer e abandonou na segunda volta, com avarias. Mas entusiasmou-se e retornou no ano seguinte, com um Ford V8 com preparação própria.



O acidente fatal com Irineu Correa.
Foto Carioca do Rio


1935 com o Ford V8.

Apesar da corrida ter iniciado com uma tragédia, a morte de Irineu Correa, o Leão de Petrópolis e vencedor da prova de 34, Benedicto Lopes realiza uma grande apresentação, liderando a partir da 6ª volta até a 22ª das 25 voltas da prova. Faltando três voltas para o final, bate no carro do retardatário argentino Felipe Rueda, que estava atravessado na pista. Até hoje conta-se que Rueda deixou-se ficar numa posição perigosa, pois queria tirar o líder da competição e ajudar outro argentino, Ricardo Carú, naquele momento segundo colocado. Porém as primeiras vitórias estavam amadurecendo, e em 1936 vence em Petrópolis; depois, em sua terra Campinas, no Circuito do Chapadão e na Quinta da Boa Vista. Nesse mesmo ano conhece a famosa Helle Nice, de quem irá comprar o acidentado Alfa-Romeo 8C, utilizado pela piloto francesa no malogrado Circuito do Jardim América. Dito restaurou o Alfa e até contou com a própria Hellé Nice, que enviou-lhe peças da Europa para que pudesse concluir o trabalho. Em 1937, transfere-se com sua família para o Rio de Janeiro, passando a residir em Ipanema. É também quando recebe o convite do Automóvel Clube de Portugal para correr naquele país. Em julho de 1937 corre em Vila Real, onde conclui em terceiro.



1937 3º Circuito de Estoril - Portugal - 2º lugar com Alfa Romeo 8C Monza.


Estoril 1937

No mês seguinte, em Estoril, termina na segunda colocação. Em setembro retorna ao Brasil e com a experiência internacional adquirida, vence o GP da São Paulo (Circuito Jardim América) e mais uma vez, é o vitorioso no circuito do Chapadão. No dia 12 de maio, participa da inauguração do Autódromo de Interlagos,chegando na quarta posição. A partir daí, segue em atividade até 1954, quase sempre pilotando uma Maserati 4CL 1500. Encerrou sua carreira aos 49 anos. Sua última prova foi no circuito de rua do Maracanã/RJ, chegando em 1º lugar. Sofrendo de úlcera, passou o restante de sua vida na terra natal, Campinas, onde faleceu em 1989.









Agradecemos aos amigos:

Nobres do Grid
Carioca do Rio
Bandeira Quadriculada
Rui Amaral Lemos Junior – Histórias que vivemos


Antyqua
Setembro 2011
antyqua@antyqua.com.br

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