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Dubonnet Hispano H-6C Xenia (1938) – O auto que nasceu para voar...

Como já vimos em artigos anteriores, (“Pegaso, O sonho que não pode ser ...”), a marca Hispano-Suiza, nasceu em 1904 e foi uma empresa espanhola de automóveis de luxo e competição que teve também uma vertente nos desenhos de motores para a aviação, veículos de transporte e incluso veículos bélicos.

Os primeiros anos da marca foram promissores, já que em 1907, um destes autos percorreu França de sul a norte em apenas 22 horas, uma proeza para a época. Como quase todos os fabricantes que buscavam fama, tiveram nas competições de autos sua principal forma de publicidade. Em 1910, se fez donos de vários troféus, entre eles, a Copa de Autos francesa usando um Alfonso XIII, o melhor Hispano-Suiza antes de estalar a Primeira Guerra Mundial.

Foi então em 1911, que a marca abriu uma filial na França, formando a Société Française Hispano-Suiza. Mas a guerra chegou e obrigou a todos os países participantes a trocar seus produtos de consumo pelos produtos bélicos, e foi o que passou com esta nova sede da Hispano Suiza.

A partir destas datas foi quando a Hispano-Suiza se dedicou a construir motores de avião com grande sucesso. Se o Barão Vermelho era para os alemães o rei dos ares, o capitão francês Georges Guynemer significava o mesmo para os seus, e ao usar um motor Hispano significava mais fama para esta empresa. Foi adotado então, o símbolo do avião de Guynemer (una cegonha) como logo oficial da empresa.

A Hispano Suiza de Espanha foi uma das grandes marcas européias. O caráter esportivo dos autos Hispano Suiza atraiu o rei Alfonso a comprar mais de 30 veículos durante sua produção, dando mais prestigio a marca.

Os anos 20 e 30 foram os de máximo esplendor da marca, saindo maravilhas mecânicas como o nosso H6, sendo ele o primeiro carro Hispano-Suiza em beneficiar-se da experiência aeronáutica que a empresa adquiriu, e se converteu no rival direto do Rolls Royce "Silver Ghost".

O Dubonnet H6C Saoutchik Xenia Coupé se manufaturou em três fábricas diferentes, a maioria na França. Todas as versões dos H6 ofereciam uma liga leve, construída sobre um chassi simples. Dado que a complementação dos carros se dava na França os H6s, recebiam todas as atenções de alguns dos melhores carroceiros da zona.

O H6C Saoutchik Xenia Coupé, foi construído por Andre Dubonnet, piloto de corridas e militar na Segunda Guerra Mundial, foi ele quem criou o desenho de suspensão único para este auto, se tratava da suspensão independente.

O H6C Xenia, foi modificado e construído sobre o chassis de uma Hispano Suiza, as janelas feitas de Plexiglas subiam e abriam-se como asas de gaivota. Todo seu desenho se baseava na premissa de permitir que o ar circulasse, o interior do Xenia guardava uma semelhança impressionante com a cabine de um avião, o sistema fez sucesso e Dubonnet conseguiu vender a patente para Alfa Romeo, Fiat e GM.

Na Espanha, a firma abriu uma nova planta em Guadalajara, além da de Barcelona, mas apenas se fabricaram carros nela. O grosso da produção de carros, cada vez mais caros e sofisticados, seguia concentrado na França, enquanto que a planta espanhola fabricava turismos com motores menos potentes e preços mais acessíveis.

Ainda que sua história seja paralela com a marca Bugatti, não foi a Segunda Guerra Mundial quem deteve seu avance, se não a Guerra Civil Espanhola. Em 1936, a produção estava praticamente paralisada, em uma situação anárquica onde realizar a empresa era impossível. A marca estava destinada a morrer.

A empresa apresentou um grande desenvolvimento durante o século XX até que quebrou no início da Guerra Civil Espanhola, no ano 1936. Mesmo assim, o sucesso de seus motores significou seguir na indústria aeronáutica.

Um fantástico auto, com espírito Espanhol!

Depois desta apaixonante historia, só resta esperar a próxima edição, onde lhes contarei a historia de outro impressionante carro, o Cord 812 de 1937.

Um forte abraço a todos.



Danielle Pimentel
Correspondente Antyqua – Europa

danielle@antyqua.com.br

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