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Citroën 2CV: “L’essentiel par essence!”… porque não só de esportivos vive o homem, os utilitários também tem seus encantos.

Para escrever em um Site especializado em carros antigos como o Site da Antyqua, o gosto por escrever não é a única arma que dispomos, ha por detrás todo um trabalho de investigação que eu particularmente chamo de “iniciação ao namoro”, sim, iniciação ao namoro, porque a mim sempre acontece o mesmo, começo a buscar informações, recapitular histórias, comparar notícias e no final, acabo completamente comprometida com o noivo da vez… e esta vez o Citroën 2 CV, este adorável avôzinho, completou em 2008 seus 60 anos de história.

Uma história que apaixona, emociona…mas eu sou suspeita para entrar em detalhes, pois sendo a “noiva da vez”…

Para que saibamos quem, porque e como, é imprescindível que remetamos à sua história, e para isso, tenho em mãos um artigo escrito por Elisa Asinelli do Nascimento (a idealizadora da Antyqua), assim que pedindo permissão a Elisa e aos meus leitores, aqui anexo fragmetos da magnífica matéria com a história do 2CV “by Elisa” que foi publicada na web do “Clube Carioca de Autos Antigos” onde Elisa é colunista.

“…Em 1934 André Citroën foi levado à falência pelos próprios acionistas, seis meses mais tarde … morreria de câncer.

…A idéia do novo automóvel veio de seu Administrador Chefe, Pierre-Jules Boulanger,…um dia, voltando à Paris … encontrou o trânsito caótico, formado unicamente por carroças, pedestres e ciclistas; não havia um automóvel sequer.

… se dá conta que para um agricultor possuir um automóvel era algo ainda muito complicado e que ainda os automóveis que estavam disponíveis no comércio, eram muito pesados e grandes demais para serem guiados pelas senhoras. Para o agricultor deveria ser um veículo simples, com o qual poderia ir ao estábulo ordenhar vacas e depois levar o leite ao mercado.

… no outono de 1935 Boulanger deu a seguinte ordem: ‘ Quero que me construam um automóvel que possa transportar duas pessoas e 50 kg. de batatas. Deve viajar a 60 km/h e não deve consumir mais de 3 litros por 100 km.’

… ‘ O automóvel deve poder ser guiado em estradas estreitas do campo e também pelas senhoras que nunca colocaram as mãos sobre um volante. E não há nenhuma importância o aspecto que terá.’ O primeiro protótipo, finalizado em 1937, era realmente feio, mas era também muito leve, visto que toda a carroceria era em alumínio. A parte anterior tinha o aspecto de uma cascata de metal ondulado, com uma grande manivela para acioná-la, sendo que não havia motor de arranque. Havia um só farol , isto porque colocar o segundo haveria aumentado o peso em 6 kg e o objetivo era aquele de economizar peso. Além do mais, a lei não exigia dois faróis.

Na caixa de cambio faltava o marcha ré, mas o automóvel era tão leve que podia ser empurrado para trás com uma única mão (!). O teto era constituído em uma armação fixada em outra armação menor em alumínio e o tecido usado recobria também a estrutura tubular em aço dos bancos.

…, nos primeiros tempos o pequeno automóvel não arrancou nenhum aplauso… a mais simples manutenção resultava impossível sem a intervenção de um especialista. Precisava verificar o óleo do cambio? Primeiro deveria desparafusar cinco parafusos do pára-lama anterior direito, também remover a bateria ou desmontar o carburador! Alcançar o motor era muito difícil que para fazê-lo seria necessário ter mãos bastante articuláveis.

Em maio de 1939, depois de ter sofrido um grande numero de modificações, na fábrica estavam prontos mais de 200 protótipos para iniciarem os testes, de modo que, no mesmo ano, o automóvel foi apresentado ao Salão de Paris …. não entrou em produção: havia começado a 2ª. Guerra Mundial.

Os franceses, … procuraram se antecipar concentrando-se no desenvolvimento do 2CV. Quando a França foi ocupada, a direção da Citroën deu ordem para destruir todos os protótipos.

A ordem vem cumprida com uma exceção: o chefe de provas Henri Loridant desmontou um dos protótipos e o embalou em caixas e baús , enquanto a carroceria foi pendurada no teto da oficina com a desculpa que se queria observar em quanto tempo ela teria enferrujado. Atualmente o automóvel, único exemplar sobrevivente da série de protótipos pré-guerra, foi restaurado.

O modelo que entrou em produção depois da guerra diferenciava dos precedentes em muitos aspectos. Foi re-projetado em grande parte, sobretudo para facilitar a manutenção e, quando foi apresentado em 1948, deixou o público emudecido. Nunca tinha sido visto nada mais excêntrico.

Aos poucos …a simpatia do público aumentava. No momento do seu lançamento, as suspenções tinha um molejo bastante acentuado e por conseqüência , constatou-se que o automóvel era muito confortável e que podia comportar-se também como um automóvel ‘off-road’.

A carroceria foi construída em volta dos bancos e retirando o teto de lona e os bancos traseiros poderia se transformar em um pequeno veículo de carga. O motor refrigerado a ar não necessitava de água , mas fornecia escasso aquecimento no habitáculo. O motor tinha cilindrada de somente 375 cc, desenvolvia 9CV e garantia uma velocidade máxima de cerca 65km/h. No final, em torno da 2CV formaram-se duas ‘escolas de idéias’. Os seus adoradores, satisfeitos com os seus automóveis, elevavam a sua praticidade e não davam nenhuma importância ao status social e às elevadas prestações. Os difamadores ignoravam sobre a comodidade, o notável espaço par bagagens, para não falar sobre a economia de gestão. Mas, uma falha inegável, correlata às características primitivas do projeto, era a falta de sistemas de segurança. A carroceria frágil garantia tanta proteção quanto uma latinha de alumínio nas movimentadas estradas.

Em fevereiro de 1988 foi encerrada oficialmente a produção da 2CV na França. Mesmo assim, ainda continuou sendo produzida em Portugal até 1990.

No total, 5 milhões de exemplares deste pequeno notável foram produzidos.Este automóvel foi odiado, desprezado e adorado, falou-se muito. Poucos automóveis na história conquistaram uma fama tão ambivalente. Dois existiram certamente, o ‘Ford Modelo T’ e a ‘Toute Petit Voiture’, denominada Citroën 2CV. Feliz aniversário!”

Emocionante, nao é mesmo?

Depois de tudo isso e para deixar vocês com água na boca… somente resta comentar que para a satisfação de muitos e por motivo da comemoração do seu 60 º aniversário, O Citroën 2CV está em Exposição na Cidade das Ciências e da Indústria de París.

A Exposição poderá ser vista até o día 30 de novembro e receberá a todos aqueles que queiram dar uma volta pelo emocionante passado do 2CV e também rever seus encantos e enamorarse uma e outra vez.

O Citroën 2CV, a parte de ter sua história e representar a um dos carros mais longevos, sem apenas mudar a sua aparência, já faz parte da nossa família e vem nos acompanhando já a muito tempo, são vários os meios pelos quais chegou até nossos corações, publicidades, filmes…. entre todas, escolho uma forma que mostra sua grande agilidade e se encaixa perfeitamente ao que pedia Boulanger em 1935, quando deu a ordem para construi-lo: “… ‘ O automóvel deve poder ser guiado em estradas estreitas do campo e também pelas senhoras que nunca colocaram as mãos sobre um volante. E não há nenhuma importância o aspecto que terá.’. É esse ponto nostálgico que faz que o Citróen 2CV se pareça a mais um da familia.

Os dois videos que os deixo na continuação são fantásticos, e para que os intrigue um pouco mais, o primeiro está ambientado na Espanha e além do mais conta com o inigualável James Bond ao volante de um 2CV



O segundo, é para reforçar a imagem que os propus antes, a da novia completamente comprometida:



Aqui os deixo informação de como chegar ao museu Cidade da Ciência e da Indústria de Paris:

Endereço:

Cité des Sciences et de l'Industrie (Cidade da Ciência e da Indústria)
30, avenue Corentin-Cariou
75930 Paris cedex 1930
Tel: 01 40 05 80 00

Reservas individuais e grupos:

Tel: 01 40 051212 ou 01 40 058000

Horário:

De terça-feira à sábados, das 10h às 18h – aos domingos, das 10h às 19h – fechado segunda-feira

Acessos:

Metrô: Porte de La Villette
Ônibus: 75, 139, 150, 152, PC
Estacionamento a pagamento: Quai de la Charente y Bulevar MacDonald

http://www.cite-sciences.fr/spanish/indexLIGHT.htm

… e aqui a cronología da sua fabricação.

Cronología

• 1948: Quinta-feira 7 de outubro se apresenta o 2CV no 35º Salão de París.
• 1949: Em julho comença a produção da versão 2CV A na fábrica de Levallois. Tem um motor bicilíndrico de 375 cm3 e 8 CV; todas as unidades estão pintadas de cinza.
• 1951: Comença a produção de uma furgoneta derivada do 2 CV, chamada AU.
• 1952: Mudam a cor da pintura por outro tipo de cinza. Um ano depois desaparece o óvalo que marca o escudo da Citroën.
• 1954: Um novo motor de 425 cm3 e 12 CV para as duas versões, a berlina AZ y a furgoneta AZU. Está unido a caixa de câmbio através de uma embreagem centrífuga.
• 1956: Aparece a versão AZL (de “luxo”), com um sistema de desembaçador no pára-brisas, a capota de cor e luz traseira. Dois anos depois ha uma versão com outro sistema de acesso ao maleiro chamada AZLP
• 1958: Versão 4x4 Sahara, com um motor na parte dianteira e outro na traseira.
• 1959: Uma nova cor para a carroceria: azul. Um ano depois muda a grade por uma menor, que permanecerá sem grandes mudanças até o final da produção.
• 1963: Novo motor, com 425 cm3 e 18 CV. A versão AZAM tem um acabamento mais vistoso.
• 1964: As portas dianteiras se abrem em sentido normal. Um ano depois, Citroën incorpora um terceiro vidro lateral.
• 1970: Aparecem o 2 CV 4 (435 cm3) e o 2 CV 6 (602 cm3). Raid Paris-Kabul-Paris, de 16.500 km. Um ano depois, Rallye de ida e volta a partir de Paris a Persépolis (13.500 km) e, em 1973, o Raid África desde Abidjan até Tunis atravessando o Sahara (8.000 km).
• 1974: Aparecem os faróis retângulares, uma grade de plástico no lugar da de alumínio. Os faróis redondos voltariam em versões como o 2 CV Special de 1975.
• 1979: Muda a gama com o 2CV Club e o Special. Um ano depois aparece o Charleston como série especial; o êxito de esta versão é tal, que faz parte da gama desde 1981.
• 1988: Se fabrica a última unidade na planta francesa de Levallois.
• 1990: Em julho se fabrica o último 2 CV, em Mangualde (Portugal). 29 meses antes se produz a última furgoneta, de um total de 3.868.634 berlinas e 1.246.335 furgonetas.

Por último recordar que a Antyqua segue a vossa disposição para a preparação de rotas ou visitas à museus como o Museu Cité des Sciences et de l'Industrie (Ciudade da Ciência e da Indústria) de Paris e de todos os cantos do mundo.

Um carinhoso abraço de uma feliz proprietária de um Citröen Dyan e até a próxima viagem no tempo.

Danielle Pimentel
Corresponsal Antyqua - Europa

danielle@antyqua.com.br
00 34 626 510 455

Exposição de París –citröen 2CV
Exposición de París
Exposición de París
Exposición de París
Citröen 2CV
1º modelo derivado de los protótipos - Citroën 2CV A de 1948
Prototipo 2CV
Prototipo 2CV
Dani en un Rallye Citröen en Paris
     

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