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Chrysler Airflow Imperial 1934

…E quem inventou o cinto se segurança?
Um dia destes, alguém me perguntou se eu sabia qual carro havia introduzido por primeira vez o tal do "Cinto de Segurança" algo imprescindível hoje em dia em um automóvel.

A verdade é que a pergunta me picou, não soube responder de primeira, ele também não sabia, assim que a pergunta não era uma armadilha ou algo para colocar-me em xeque… e com o âmago doído por não saber responder e as duvidas que me devoravam a massa cinzenta, comecei a buscar a resposta!

Para minha surpresa foi em 1934, (impressionante, não?!) quando a empresa Chrysler começou a elaborar um carro totalmente revolucionário para sua época, era o fantástico e avançadíssimo Chrysler Airflow Imperial 1934.

Os estritos controles de aerodinâmica que foram utilizados nos seus desenhos iniciais, com características impensadas para a época, como ser dotado de cintos de segurança e de um pára-brisas curvado, onde não tinham um pilar central.
Seu avançado desenho revolucionou a forma de ver os carros e a maneira de desenhar-los.

Criado pelo genial Carl Breer, o Airflow nasceu do conceito de streamlining, que pretendia criar carros aerodinâmicos e por tanto mais velozes e eficientes.
Com tudo, um dos autos mais fascinantes foi um desastre comercial comparável ao fiasco do Ford Edsel.
Passava que o Airflow estava 10 anos adiantados há seu tempo!

Para seu aperfeiçoamento, foi construído um túnel de vento, uma indicação do pioneiro da aviação Orville Wrigth à Breer, com o túnel se descobriu que a maioria dos autos da época eram mais aerodinâmicos em marcha ré!
Foi aí onde Breer centrou suas redes neuronais e desta inovação eólica nasceu o perfil de lágrima do Airflow, se obtiveram suficientes resultados como para estabelecer bases de comportamento. Era o principio do desenvolvimento do fator Cx (coeficiente aerodinâmico que em um carro normal oscila de 0,30 y 0,40). Breer criou uma estrutura totalmente nova chamada "Interlocking", um antecipa do monobloco. Com isso se obteve uma rigidez 40% maior que a de qualquer outro modelo e se melhorou a distribuição de peso entre um 45% e um 55%. Tecnologia a serviço dos melhores e tudo isso em 1934!!
Mas as provas com o ousado Airflow não se acabaram aí, o Airflow Imperial era realmente muito forte, mas ainda necessitavam mais provas do seu arrojo, foi então quando propuseram uma queda de 100 pés, que com a integridade de uma caixa forte agüentou com suficiente brio, caiu ileso e com poucos arranhões.
Avançado tecnologicamente, o Airflow tinha um motor de 299 polegadas cúbicas, de 8 cilindros em linha e 130 cavalos, acoplado à transmissão semi automática Overdrive, e sua mola de suspensão lhe permitiam mover-se como a seda. Ícone de modernidade arrancava apertando um botão, o banco oferecia 6 posições, e contava com tacômetro e velocímetro concêntricos. (Não parece a descrição de um carro atual?)
Mas o transcendental do Airflow era seu estilo. Sua forma era indiscutivelmente aerodinâmica; parecia esculpido por uma corrente de ar, que isso é o que significa seu nome. Sua grade frontal em catarata, o arquitetural interior a "lo Bauhaus" e suas molduras Art Deco, faziam do Airflow uma das criações mais preciosas da história do automóvel.
Só 11 mil unidades se venderam no primeiro ano. No ano 1935, com a grade redesenhada e ainda assim as vendas caíram a 7.751 unidades e em 1936 totalmente redesenhadas, baixaram de 6.275 unidades as 4.600 unidades vendidas.

Na verdade o Chrysler Airflow não mereceu o destino que teve, seu único pecado foi estar adiante do seu tempo e por isso foi também conhecido como "O maior fracasso da história do automóvel", mas apesar deste marco, significou uma ruptura total no mundo do automotor. Chrysler custou superar esta grande perda durante algum tempo.

O Chysler Airflow Imperial, um auto maravilhoso, mas incompreendido, o público não estava preparado para um carro tão futurista e em 1937 o Airflow foi substituído pelo mais convencional Chrysler Airstream.

Este é um dos ícones dos carros americanos, onde se destacava a robustez, a segurança e a aerodinâmica, características que já são normais nos carros atuais.

Em quanto aos cintos e pesquisas e tal… tenho que acrescentar que o Airflow foi o revolucionário, aportando os cintos de 2 pontos, mas o primeiro cinto de segurança montado em série como equipamento standard em veículos de produção massiva se montou no Volvo Amazon de 1959. Este veículo já montava um cinto de três pontos.
Foi o engenheiro da Volvo Nils Bohlin quem inventou o cinto de três pontos, que se converteria na norma praticamente universal para automóveis de rua. Volvo liberou a patente, para que todos os demais fabricantes pudessem copiar o desenho, mas isso é ooooutra história!!!
Tenho que confessar que nesta rota rumo ao desconhecido mundo dos fantásticos carros de época mais admirados em todo o mundo, seja por seus desenhos ou por sua aerodinâmica, está deparando-me com surpresas muito gratas, aprendendo a cada edição e crescendo neste magnífico e apaixonante universo antigo automobilístico.

Como sempre, é uma grande honra compartilhar estas informações, nos veremos na seguinte edição com o Chrysler Thunderbolt (1941).

Um cordial saludo desde España.

Danielle Pimentel
Antyqua - Europa
danielle@antyqua.com.br

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