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As pioneiras e os automóveis

Celebraremos no dia 8 de Março o ‘Dia Internacional da Mulher’ e nada mais justo que uma mulher reconhecer o talento de outras mulheres, o diferencial neste reconhecimento é que estas mulheres buscavam realização pessoal no limite das possibilidades ao invés de fama e dinheiro fácil sem talento, muito comum nos dias de hoje.
Este artigo já foi publicado com outro formato há três anos e está no blog Antyqua, são histórias das PIONEIRAS, as enlouquecidas para a época, as que desafiaram a opinião pública e a sociedade repressora.
Por ordem cronológica, a primeira mulher a dirigir um automóvel foi Bertha Benz esposa de Karl Benz. Bertha, o conduziu em 1885 à velocidade de incríveis 13 quilômetros horários.

Coincidentemente, após a associação de Karl Benz com outro construtor de automóveis, Gottlieb Daimler a comercialização dos mesmos foi iniciada por um industrial monegasco chamado Emil Jellinek que em 1900, condicionou o investimento na compra de um lote de automóveis em batizá-los com o nome de sua filha: Mercedes. Assim nasceu a marca Mercedes-Benz. A história é bem mais extensa e preeminente.

Mercedes Jelinnek

A Pioneira na condução, no ‘test drive’ e na mecânica:

A relação da mulher com o automóvel iniciou no âmbito familiar com a pioneira Bertha Benz, esposa de Karl Benz. Bertha sempre esteve muito próxima do marido no projeto da construção do primeiro automóvel a ponto de relacionar-se intimamente com a mecânica.

Os três modelos que Karl construiu de 1886 a 1888 não haviam percorrido mais que 20 km. Bertha insistia para que Karl iniciasse a comercialização acreditando que já estavam prontos para tal. Karl muito perfeccionista discordava da esposa.

Na manhã do dia 5 de agosto de 1888, Bertha Benz e seus dois filhos Eugene 15 anos e Richard 14 anos (cúmplices da mãe corajosa) ‘emprestaram’ o’ Benz Motorwagen n°3’. Foi o primeiro teste de longa distância de um automóvel, seguiram de Mannhein para Pforzheim (104 km.). Como mãe e esposa dedicada, deixou um bilhete para o marido: ‘ Nós viajamos para Pforzheim para visitar a vovó ’. As dificuldades encontradas na viagem foram inúmeras, desde a falta de combustível até problemas mecânicos que Bertha soube resolver com maestria. Alcançou o seu objetivo: provar ao seu marido Karl que o seu invento poderia ser comercializado sem preocupações após esta aventura bem sucedida da primeira viagem de um automóvel na história, grande jogada de ‘marketing’.
Podemos dizer que a primeira relação da mulher com o automóvel foi por amor de uma esposa por seu marido.

Bertha Benz
Bertha Benz
Bertha e Karl Benz
Bertha e os filhos saindo para a aventura

A pioneira na invenção automotiva:

As mulheres daquele tempo não se limitavam somente a conduzi-los. O primeiro automóvel americano, o Duryea, foi desenvolvido em 1893 e em 1903, a americana Mary Anderson inventou o limpador de pára-brisas para melhorar a segurança durante a condução em chuva, gelo e neve. Até 1923, mais de 175 patentes foram concedidas a mulheres para invenções relacionadas aos automóveis, semáforos e sinalizações de trânsito. Quem diria!

A idéia surgiu quando Mary viajava do Alabama para New York. Em New York ao observar os condutores dos coletivos e os motoristas dos poucos automóveis que circulavam , constante mente parando para remover a neve e o gelo dos pára-brisas e Mary pensou à respeito.

Iniciou o estudo para elaborar um dispositivo que fosse acionado de dentro do habitáculo, proporcionando maior conforto e segurança ao motorista.

No ano seguinte, em 1904 Mary entrou com pedido de registro de patente para um braço oscilante com uma lâmina de borracha. O dispositivo consistia de uma alavanca que poderia ser operada de dentro do veículo pelo motorista.

A patente foi publicada em 1905 mesmo existindo vários projetos que antecederam o de Mary Anderson, mas o dela foi o que realmente funcionou.

Mary teve que agüentar muitas piadinhas, inclusive de que o seu invento distraía os motoristas ou quem sabe que deveria ser instalado pelo lado de dentro!

No final das contas em 1913 o limpador de pára-brisas de Mary Anderson foi aclamado a partir do momento que virou equipamento de série para milhares de automóveis inclusive na linha de produção do poderoso Henry Ford.

Mary Anderson
Mary Anderson

A pioneira na habilitação:

Acompanhando os tempos modernos na Europa, a primeira mulher habilitada com carteira de motorista foi a nobre francesa Duquesa d’ Uzès. O periódico esportivo ‘La vie au grand air’ de 15 de maio de 1898 não economizou exclamações ao noticiar “La duchesse d’Uzès brevetée! Mon Dieu, oui brevetée et conducteur d’ automobile encore! Voilà une nouvelle bien véridique qui etonnera bien des gens!” (A duquesa d ‘Uzès habilitada! Meu Deus, sim, motorista patenteada e também condutora de automóvel! Eis uma nova notícia que surpreenderá muita gente!).

Mas a duquesa não nos ajuda a entender se as mulheres são realmente mais prudentes que os homens, porque apenas dois meses depois de ter conseguido sua polêmica habilitação já foi convidada a apresentar-se ao tribunal por ter ‘circulado em velocidade exagerada em Bois de Boulogne, correndo o risco de provocar um acidente’. Na realidade, esta ‘velocidade perigosa’ foi somente a 15 km/h e o limite para os automóveis que circulavam em Paris era de 12 km/h.Não deveria ser fácil para a duquesa ‘ultra moderna’ respeitar estas regras.

Duquesa D'Uzes

A pioneira nos rallyes de longa distância:

A primeira mulher piloto é também uma francesa. Foi Madame Camille Gamond du Gast,nascida em 1870, pianista de notável talento e grandiosa esportista, tanto que praticava a nível profissional alpinismo, equitação, esgrima, caça, tiro e paraquedismo (!). Sim, saltava-se de pára-quedas naquela época do alto de um balão.

Uma mulher polêmica que não poderia deixar de provar também do automobilismo. E assim, a sua estréia dá-se no rallye Paris-Berlim de 1901, percorrendo com a sua pequena Panhard de 20 cv. – o menor veículo entre os veículos inscritos – os 1.105 quilômetros de percurso. E percorrendo-os muito bem, partiu em 122° lugar e chegou em 33°. Não satisfeita inscreve-se no famoso rallye Paris-Madri em 1903, durante o qual ganha notoriedade internacional por seu comportamento, se é que pode-se dizer de uma senhora, de grande ‘cavalheirismo’. Durante a prova em direção à Bordeaux, em ótima posição na sua De Dietrich 4 cilindros e 45 cv , testemunha um acidente que envolve o piloto Stead. Ela não hesita em parar e retirar o acidentado debaixo do automóvel, com a ajuda de um mecânico, onde seguramente morreria carbonizado, já que a gasolina escapava por toda a parte. Madame du Gast o leva para um lugar seguro, espera por horas a fio o socorro chegar para retomar a corrida. Classifica-se em 45° lugar. Se não tivesse parado para socorrer o piloto acidentado, seguramente chegaria entre os dez primeiros colocados. Além de talentosa tinha um grande caráter.

Cammile du gast
Cammile du gast
Cammile du gast
Cammile du gast

A pioneira em marcar recordes:

Vieram outras como, Miss Violette Cordery, que inaugura uma marca britânica: em um modelo Invicta, provando ter percorrido mais de 48.000 quilômetros em uma média de 100 km/h.

Violette Cordery

A pioneira em atravessar os Estados Unidos de costa a costa:

Do outro lado do mundo em 9 de junho de 1909, aos 22 anos de idade, a dona de casa Alice Huyler Ramsey e mais três mulheres (suas irmãs) decidem deixar New York em um carro de turismo, um Maxwell . Quarenta e um dias dirigindo, 11 pneus, 3.800 milhas (6.000km.) para chegarem a San Francisco, recebidas com muita festa!

Alice Huyler Ramsey e suas companheiras de viagem (que não dirigiram durante a viagem) superaram numerosos desafio durante a viagem, incluindo estradas ruins, más condições do clima, pneus furados, avarias mecânicas e até índios pelo caminho. A história desta aventura daria um excelente roteiro para um longa metragem. O livro já existe.

Alice
Alice
Alice
Alice

A pioneira em malabarismos

Anna Keppen, filha de imigrantes alemães, nasceu em 1850 em Michigan City, Indiana. Aos 12 anos de idade seu pai suicida-se e dois anos mais tarde sua mãe morre de tuberculose. Anne órfã e pobre começa a trabalhar como empregada em uma casa de família e na sua adolescência muda-se para Chicago. Muito atraente começa a trabalhar como modelo e a atuar em pequenas peças de teatro. Em 1908 mudou-se para West Coast onde desenvolve um fascínio por carros potentes depois de trabalhar como modelo em uma exposição de automóveis na Califórnia. Anna aprendeu a dirigir rápido e em 1910 começa a competir em corridas. Durante a recuperação após um grave acidente durante uma corrida em Phoenix, Arizona, desiste das competições e com o rápido crescimento da indústria cinematográfica de Hollywood, volta a atuar com o nome artístico de Anita King. A experiência com o teatro abre as portas para pequenos papéis com personagens secundários em comédias.

Em 1915, Anita King decidiu colocar em prática sua experiência em dirigir automóveis para fazer testes em um filme que contaria a história da primeira mulher a dirigir sozinha por todo o continente norte-americano. Com o apoio do dono do estúdio, Jesse L. Lasky, o recém formado Paramount Pictures, ela obteve do Kissel Motor Car Company um veículo equipado com pneus Firestone. Já conhecida como ‘The Paramount Girl’, em meio a muita publicidade em 25 de agosto do mesmo ano ela parte com seu ‘Kissel Kar’. O jornal ‘The Los Angeles Times’ escreve: ‘Não haverá ninguém com ela durante a viagem. Seus companheiros serão: um rifle e seis balas’. Anita declara a imprensa: ’Se homens podem fazer, uma mulher também pode’. Após muitas paradas ao longo da viagem para promoções publicitárias e cobertura dos principais jornais de costa a costa, quarenta e nove dias mais tarde, em 19 de outubro, Anita King recebe as boas vindas como heroína na cidade de New York, um jornal noticiou: ‘Ela chegou com o ar da Califórnia em seus pneus’.

Este feito transformou Anita King em celebridade, o filme chamou-se ‘The Race’. Ela atuou em vários filmes na Paramount e em outros estúdios, atuando em cenas de risco com automóveis, foi garota propaganda da Kissel Motor e da Firestone.

Em Galion, Ohio o museu ‘Lincoln Highway’ a homengeia com o ‘The Lincoln Highway goes Hollywood – Anita King’, sua história contada com heroísmo e muito sucesso.

Anita Kink
Anita Kink
Anita Kink
Anita Kink
Anita Kink
Anita Kink
Anita Kink

São muitas as mulheres merecedoras de nossa homenagem, a lista é extensa.
Para não gastar todo o meu cartucho deixarei as próximas para outra ocasião, lembrando que a importância de cada uma não corresponde a uma colocação no ranking das melhores, todas são ESTELARES.

Elisa Asinelli do Nascimento
Março de 2010
Antyqua
elisa@antyqua.com.br

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