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‘A inauguração da placa em Saint-Mesme e a vitória de Sheryl Greene’

Uma pequena, mas marcante conquista...

No sábado, dia 04 de setembro, 2010, sob um lindo céu ensolarado na pequena vila de Sainte-Mesme nos arredores de Paris, mais de 200 pessoas estavam reunidas vindas de três países diferentes para homenagear e celebrar a vida da piloto de Grand Prix dos anos 30, Hellé Nice.

Foi o culminar de três longos anos de esforço organizado por Sheryl Greene, uma entusiasta de automóveis esportes de Atlanta, Geórgia.

Em 1984, Hellé Nice, uma piloto pioneira em corridas de automóveis, ganhadora de 14 recordes de velocidade em Montlhéry e 8 recordes mundiais de velocidade, morreu na obscuridade, extrema pobreza e foi enterrada em um túmulo sem lápide. A história de sua vida e seu declínio por injusta difamação, foram pesquisadas e documentadas no livro ‘The Bugatti Queen’, publicado em 2004 pela escritora Miranda Seymour.

Sheryl Greene

Documentar a sua trajetória e encontrar finalmente um local para seu descanso, foi um tremendo empreendimento para Miranda. Durante sua vida, a mulher nascida como Mariette Hélène Delangle, passou por vários nomes, fazendo com que ficasse difícil ter pistas sobre ela mais tarde. Para completar, tinham ainda quatro vilas diferentes na França chamadas Sainte-Mesme. Porém, após finalmente encontrar o atual túmulo de Hellé Nice, Seymour descobriu, para sua surpresa , que estava sem lápide. Comovida no livro declarou que queria trazer “ um pouco de justiça para a mais ousada e atraente mulher do século passado ... ela merece ser relembrada, e mais do que isso, celebrada”.

Presidente da Associação Histórica e Arqueológica de Sainte-Mesme, M. Louis Dejean.

Alguma coisa tinha que ser feita. O empenho para corrigir esta omissão foi liderado pela Fundação Hellé Nice, a organização fundada por Sheryl Greene em 2008. Inspirada pelo livro de Seymour, Greene estabeleceu a Fundação em parte para arrecadar fundos e construir a lápide para Hellé Nice a missão parecia intransponível; mesmo os entusiastas franceses de automobilismo até então desconheciam que marcante pessoa estava enterrada naquela pequena vila francesa. ( De nada valeu pois ‘The Bugatti Queen’ nunca foi publicado na França , desta maneira explicava o motivo de muitos aficionados , incluindo a remanescente família de Hellé Nice, não estarem a par de toda sua história ).

Uma importante descoberta veio em janeiro de 2010, quando Seymour enviou um e-mail para Greene que iniciava, “ Um parente ainda vivo da Hellé Nice apareceu...” Repentinamente, o contato com a família de Hellé Nice parecia possível. Com sorte, eles estariam interessados nos esforços de Greene para construir a lápide de Hellé Nice. Greene encontrou com os membros da família e historiadores locais no túmulo sem registro em Sainte-Mesme; a família Delangle assim como as autoridades locais foram prestativos e se mostraram muito interessados no projeto.

Imediatamente deu-se início à captação de recursos para construção da lápide no túmulo da corredora. Assim que a obra ficou pronta, marcaram a data da cerimônia que seria aberta aos familiares, admiradores da Bugatti, público local e à imprensa.

Uma exposição sobre a vida de Hellé Nice na igreja próxima à cerimônia.

Em poucos meses a Fundação angariou fundos de uma grande variedade de doadores, incluindo o Mullin Automobile Museum, o American Bugatti Club, os admiradores do Alfa Romeo, leitores do site VeloceToday e alguns doadores anônimos. Autoridades locais e historiadores, especialmente Louis Dejean e Bruno Perrin, contribuíram com centenas de horas de trabalho e também angariaram fundos para o evento. Artistas fizeram doações de suas obras para um leilão. Sábado, dia 04 de setembro, 2010, foi a data escolhida para a cerimônia formal.

Membros da família Delangle

A programação incluiu, como esperado, vários discursos. Louis Dejean, fundador da ‘“Association Souvenir Hellé Nice” foi o Mestre de Cerimônias e Coordenador Geral do evento. Paul Desmettre, Prefeito de Sainte-Mesme, deu as boas-vindas a todos.

Seymour falou em Francês sobre a descoberta da história de Hellé Nice e como ela trouxe a estória desta extraordinária mulher para o mundo através de seu livro ‘The Bugatti Queen’.

Dra. Patrícia Lee Yongue falou sobre a importância de Hellé Nice na história do automobilismo feminino.

Sheryl Greene prestou um comovente depoimento em homenagem à memória de Hellé Nice. Annie Soisbault, famosa piloto de rally dos anos 50, prestou homenagens. Robert Delangle, sobrinho-neto de Hellé Nice, homenageou com suas lembranças pessoais sobre sua famosa tia.

Warner Dailey estava lá também. Dailey foi a pessoa que, em 1994, achou o Álbum de fotografias de Hellé Nice numa antiga loja no sul da França e fez com que ele circulasse e, eventualmente resultasse no livro ‘ The Bugatti Queen’.

Uma surpresa especial foi o vídeo do primeiro ‘jornal cinematográfico’ da França, o qual noticiava a quebra de recorde de velocidade por uma mulher em Montlhéry em 1929. Foi uma grande experiência ver o rosto e o sorriso de Hellé Nice no filme, ouvindo sua voz realmente. Este filme foi feito com uma câmera montada na pista, sem dúvidas um dos primeiros exemplares de filmagem de uma corrida de automóveis. Onde o ronco do motor foi totalmente incluído na trilha sonora do filme... e num tempo onde os filmes mudos ainda eram a norma.

Miranda Seymour deixou, com Warner Dailey e sua esposa o álbum de fotos que inspirou o livro ‘ The Bugatti Queen’.

Depois dos discursos em homenagem, a placa foi colocada no túmulo. Flores foram oferecidas pela ‘Hellé Nice Foundation’, por “ Le Femme Pilotes” ( A Associação Francesa de Pilotos Femininas), pela ‘British Women’s Motorsports Association’, pela população de Sainte-Mesme e a família Delangle

Claramente este é o começo de algo bem maior. A energia, devoção e interesse gerados por este evento não pode perder o vigor, muita gente deixou o evento inspirada e entusiasmada. Julgando pelas muitas inscrições feitas no livro de presença do evento, fica claro que a consagração deste evento arrebatou um interesse inesquecível por Hellé Nice e por mulheres da história do Esporte Automobilístico que ela ajudou a criar.

Texto: Mary Ann Dickinson
Fotos: Mary Ann Dickinson e Hellé Nice Foundation
Visite o site: www.velocetoday.com

Sheryl Greene e Miranda Seymour

Eu soube de todo esse movimento para angariar fundos para a construção da lápide para Mariette Hèléne Delangle quando fui contatada por Sheryl Greene (Hellé Nice Foundation) após a publicação do artigo 'Mademoiselle Hellé Nice - The Queen Bugatti' no site Antyqua.
Sheryl e eu trocamos várias mensagens desde então, até eu receber com muita honra também uma mensagem de Miranda Seymour.
Só quem acompanhou o esforço de Sheryl para arrecadar a quantia necessária, o trabalho em contatar os familiares e autoridades na França, além da organização da cerimônia, sabe do significado deste dia.

Sheryl prometeu. Sheryl cumpriu.

Elisa Asinelli do Nascimento
Antyqua

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