1ª. Caravana ‘Classic Car Club – RS’ & ‘Antyqua’
Rumo a Autoclásica – De Porto Alegre a Buenos Aires
Durante o ‘XI Rally Internacional’ organizado pelo Classic Car Club – RS no último mês de agosto o assunto entre os participantes eram os próximos eventos internacionais que aconteceriam nos próximos meses. Um grupo de ralizeiros participaria do Raid dell’ Etna na Itália e as Mil Millas do Uruguay. Faltava montar um grupo para a Autoclásica na Argentina.
Como estou presente há seis anos na Autoclásica como organizadora do grupo de viagens da Antyqua decidi reeditar uma vista opcional ao Museo Fangio em Balcarce, distante 450 km. de Buenos Aires e os amigos gaúchos do CCC-RS demonstraram interesse neste passeio. A conversa foi se estendendo até começarmos a nos organizar para formar uma caravana com automóveis antigos até Buenos Aires e expô-los a exemplo do ano passado quando a Antyqua convidou o colecionador paulista Vieira Jr. e o seu Ford Roadster V8 1932 para o stand do ‘Club Ford V8 de la Republica Argentina’. Uma super aventura contada aqui em 2010.
O presidente do CCC-RS, Rodrigo Cirne Lima deu início ao projeto divulgando entre os associados e amigos e a Antyqua iniciou o contato com o organizador da Autoclásica, Juan Larossa solicitando o espaço para expor as nossas relíquias. Muito gentil Juan nos atendeu prontamente e nas últimas duas semanas que antecederam a nossa partida o nosso espaço estava confirmado.
No final das contas a visita ao Museo Fangio foi suspensa, porque os veículos de competição de Juan Manoel Fangio estariam expostos no evento para comemorar o seu 100º aniversário, então não valeria à pena visitar o museu.
Para documentar esta aventura, iniciamos com o dia que antecedeu a partida com um magnífico churrasco na sede do Classic Car Club – RS e a nossa passagem por cada cidade, na ida e na volta.
O nosso retorno foi em outro formato, pois alguns integrantes da caravana decidiram permanecer na Argentina retornando um dia depois e seguindo um roteiro diferente.

De Porto Alegre para Buenos Aires
1.100 km
Dia 04/10
Na bela sede do CCC-RS o presidente Rodrigo Cirne Lima e sua diretoria receberam os viajantes para a Autoclásica e as Mil Millas Uruguayas, alguns deixaram de comparecer preferindo dormir mais cedo para enfrentar a longa maratona que nos aguardava. Presente no jantar o amigo José Cândido ‘Juca’ Muricy Neto que veio com a sua La Salle 1939 rodando desde o Rio de Janeiro para integrar a caravana.
Dia 05/10
Porto Alegre
Exatamente às 05h00min da manhã o grupo reuniu-se em frente ao hotel Ibis Moinhos de Vento onde estavam hospedados dois integrantes da caravana, o colecionador Mario Leão de Maceió e eu. Ainda estava escuro, chovia e fazia muito frio. A caravana partiu com a seguinte formação: Rodrigo Cirne Lima e Mauro Weck no Mustang 1966, Luiz Gustavo Tarragô de Oliveira no Opala Coupé 1977, Rogério Franz e Laila Cesar na Hudson Pacemaker 1951, José Candido Muricy Neto, Carlos e Lucia Simões na La Salle 1939 , José Eduardo Álvares, Mario Leão e Elisa Asinelli do Nascimento no Ford Victoria 1953. Hélio dos Santos Filho no Landau 1978 encontrou-nos mais adiante. Jarbas Brocca com o Karmann-Ghia 1967 seguiu viagem no dia seguinte acompanhado de Delmar Perizzolo no Mini 1972.
Porto Alegre – Jaguarão
O dia clareou e o sol apareceu meio que timidamente, mas nos deu as boas vindas para uma viagem que seguiu tranqüila.
Chegamos a Jaguarão e os condutores providenciaram o seguro Carta Verde,documento indispensável para circular com os automóveis nos países do Mercosul. Atravessamos a histórica Ponte Internacional Mauá construída em 1930 para ingressar em Rio Branco já no Uruguai. Parada na Aduana para a imigração.
Rio Branco – Colonia del Sacramento ( Uruguai)
Em Treinta y Três paramos em um posto de combustível para abastecer as máquinas e também abastecer a tripulação faminta. A quantidade de caravanas de brasileiros que passam por esta rota é impressionante, basta observar as janelas das lojinhas de conveniência destes postos de serviço, repletas de adesivos de vários clubes e associações de motos e veículos. Para não perder a oportunidade deixamos a nossa marca também. Foram incontáveis adesivos que ficaram para trás registrando a nossa passagem.
Já era noite quando chegamos a Canelones, estávamos muito perto de Colonia del Sacramento para pernoitarmos e encontrarmos o filho do José Eduardo ‘Dudu’ Álvares, também Eduardo que reside há três anos nesta cidadezinha encantadora e muito gentilmente cuidou da nossa hospedagem e passagens para o Buquebus.
O nosso descanso foi em uma pousada deliciosa em Colônia del Sacramento, um lugar cuidadosamente decorado envolvido por um ambiente bucólico, típico da cidade. Acordamos com o horário de verão uruguaio já em vigor. Sem muita pressa seguimos para um passeio pela cidade sob um belíssimo sol já que o nosso Buquebus partiria às 11h30min em direção à Buenos Aires.
Dia 06/10
Colonia dela Sacramento ( Uruguai) – Buenos Aires
Chegamos ao Porto de Colônia para o embarque. Os automóveis permanecem no pátio externo para o embarque nos porões do barco. Fizemos o nosso check-in e aguardamos o nosso embarque. A travessia do Rio de La Plata até Puerto Madero em Buenos Aires leva aproximadamente 40 minutos.
Todos foram convocados a descer para os porões para o desembarque no interior dos respectivos automóveis. Tripulação pronta para seguir ao Hipódromo de San Isidro, sem escalas.
Como a grande maioria destes viajantes vem com freqüência a Buenos Aires a dificuldade em prosseguir até o Hipódromo de San Isidro foi mínima, uma dica preciosa de dois rapazes nos ensinaram um atalho em direção ao portão da entrada dos automóveis. Como num passe de mágica avistamos justamente o ‘nosso’ portão de entrada.
Os policiais já estavam instruídos sobre a nossa chegada e foram nos orientando até as nossas vagas. Já na entrada encontrei o amigo Xavier Lopez do ‘Club Ford V8’ e a assessora de imprensa Marcela Rossi que nos recebeu com muito carinho. A sensação de ‘1ª. parte da missão cumprida’ tomou conta de todos. Enquanto o grupo aguardava novas instruções fui verificar as credenciais e placas de identificação para os automóveis. Enquanto eu aguardava outro encarregado da organização, bati um longo papo com um senhor muito simpático que ao se despedir me disse o seu nome muito rapidamente e eu não entendi. Depois eu conto quem era este senhor.
Chegou o organizador que estava esperando, Pedro um jovem muito atencioso que me perguntou se não nos importaríamos em separar um dos automóveis do grupo, perguntei-lhe por que? ‘ Gostaríamos que a La Salle 1939 ocupasse lugar de destaque entre o Cord (The Best of Show em 1998) e o De Soto Airflow’. Eu até brinquei: ‘Acho que o dono não vai gostar’. Evidentemente que todos ficaram orgulhosos e o Muricy mais ainda.
O pessoal começou a se dispersar, alguns queriam dar uma volta para o reconhecimento da área e outros já estavam famintos. Fui em companhia de Dudu Álvares e Mario Leão a um restaurante bem em frente ao portão de entrada, Dudu já conhecia e não poderíamos escolher melhor. Todos os veículos eram obrigados a circundar a praça em frente ao restaurante para entrar no hipódromo, literalmente de camarote assistimos várias beldades passarem rodando e algumas sobre as plataformas
Dia 07 e 08/10
Durante o evento
Choveu durante toda a noite e na manhã de 6ª. feira estávamos naturalmente apreensivos com os resultados da forte chuva no local da exposição. Ao contrário do que muitos testemunharam em 2007 nada de sério aconteceu, algumas poças d’água indesejáveis e mais nada. A grande maioria dos visitantes entusiastas muniu-se de galochas e capas de chuva. A turma da caravana seguiu para o evento no trem que parte da estação de Retiro para a estação San Isidro, ao contrário do que muitos imaginam, é o transporte mais rápido, seguro e econômico para ir da capital Buenos Aires até a província de San Isidro, são 40 min. de viagem. Tão aprovado que o trem estava lotado de brasileiros, na ida e na volta. Fica a dica.
Por volta das 12h30minhs. deu-se o inicio a abertura oficial do evento com a presença das autoridades locais e no seu discurso o presidente do Club de Automóviles Clásicos, Sr. Alejandro Daly agradeceu a presença dos brasileiros.
Dia 09/10
No domingo o tempo firmou e uma parte da nossa caravana preparava-se para partir na manhã seguinte, a outra parte decidiu ficar para não perder a premiação e curtir os últimos momentos, leia-se Rogério Franz e tripulação e José Cândido Muricy Neto e tripulação. Uma corrida ao Buquebus para tentar trocar os bilhetes dos automóveis e tripulação, o que parecia impossível aconteceu, eles conseguiram! Antes de nos despedirmos dos nossos amigos que partiriam após as 18h00min fomos procurados pelo produtor do programa AutotecnicaTV o incansável Frank Spinosa Cattela e a editora Laura Guarino Diaz para gravar uma matéria sobre a nossa caravana. Conseguimos reunir a turma para iniciar a gravação dos depoimentos, foi sensacional.
Rodrigo Cirne Lima presidente do Classic Car Club – RS relatou o projeto desde o início e a participação dos amigos e associados, a viagem a bordo do Mustang HT 1966 em companhia do amigo Mauro Weck, Rogério Franz contou detalhes do seu Hudson Pacemaker 1951 e a viagem com sua Laila Leão Cesar. José Cândido Muricy Neto e a sua indelével La Salle 1939 contou detalhes sobre a viagem desde o Rio de Janeiro e a história com o automóvel.
O programa AutotecnicaTV é de origem argentina, mas está sendo produzido também aqui no Brasil e exibido pela BandSports. Uma excelente proposta de programa automotivo. Confiram!
Dia 10/10
Nosso último dia e também o dia mais esperado por toda a ‘população’ Autoclásica, a premiação. Permaneceram, Rogério Franz, Laila Leão Cesar, José Candido Muricy Neto, Carlos e Lucia Simões e eu. Passamos um dia muito agradável vendo e revendo muitas preciosidades. O início da premiação estava marcado para as 15h00min fomos todos para a área da premiação assistir ao grande espetáculo. Como sempre um espetáculo de bom gosto e organização. Estávamos muito atentos aos comentários e de repente anunciam o premio ‘Maior distância percorrida’ e anunciam a La Salle 1939 de José Cândido Muricy Neto. Imagine a comoção, Muricy seguiu em direção a Alejandro Daly e sob muitos aplausos recebeu o premio justo e merecido, percorrer 3.000 km. em um automóvel 1939 é louvável. Sentimos-nos homenageados, um reconhecimento para todos que integraram a caravana.
No final da premiação, fomos recebidos por Alejandro Daly e ‘supervisionados’ com a câmera da AutotecnicaTV de Frank e Laura para prestarmos as homenagens ao clube que nos recebeu, o CAC. Rogério Franz representando o ‘Classic Car Club – RS’ entregou finos presentes grifados pelo clube. Um momento de agradecimentos mútuos e a promessa de retornar para as próximas edições da Autoclásica.

De Buenos Aires a Porto Alegre
990 km.
Dia 11/10
Nos reunimos de manhã em Puerto Madero para o embarque no Buquebus até Colonia del Sacramento no Uruguai a nossa porta de entrada. Todos com a fisionomia cansada, mas satisfeitos. Os automóveis já embarcados no porão do barco e vamos em frente!
Desembarcamos em Colonia del Sacramento e Rogério recebe um telefonema de Rodrigo ansioso para saber se já tínhamos atravessado e Rio de la Plata. A primeira leva da turma que voltou no dia 11 pela manhã pernoitou no Uruguai e partiu algumas horas antes de nós, então estávamos todos em via de retorno.
Uma parada para abastecer e um pouco mais adiante pausa para o café e um salgadinho num ‘rincón’ muito legal.
Os amigos que retornaram um dia antes mandaram as suas fotos, Delmar Perizzolo no Mini 1972 e Luiz Gustavo Tarragô de Oliveira no Opala 1977.
Após um acordo entre os comandantes e as tripulações dos automóveis decidimos seguir o roteiro pelo litoral uruguaio, foi a melhor escolha, o que já estava ótimo ficou melhor.
Iniciamos por Montevideo, a capital uruguaia localizada à margem oriental do Rio de la Plata, a capital mais jovem da América Latina, mas também com uma população com alto nível educativo e cultural.
Seguimos passando por Piriápolis, uma cidade-balneário lindíssima apesar de pequenina. Muito freqüentada pelos europeus e argentinos durante a alta estação. No alto do morro avistamos a Capela de Santo Antonio, segundo uma das integrantes da tripulação ele é milagroso, demora, mas atende a todos os pedidos! Pausa para um café e fotos.
O mais festejado e aguardado balneário uruguaio, Punta del Este. Famoso pelas belas casas, cassinos, hotéis e rallies de veículos históricos de alto nível.
Aqui, Rogério Franz é o nosso guia, assíduo freqüentador dos rallies locais, foi nos guiando e detalhando cada ângulo do balneário. Enquanto admirávamos também éramos admirados, na elegante avenida comercial de Punta escutamos uma forte freada e uma pancada. Ao nosso lado um motociclista distraiu-se ao admirar a Hudson e o automóvel da frente idem, conseqüência: um leve engavetamento, sem maiores danos.
Muricy e Rogério decidiram retornar por La Barra a estradinha de acesso está quase que totalmente coberta pela areia. Mas a vista dos rochedos é um espetáculo à parte.
Segundo Rogério, esta é a prainha mais badalada pelos freqüentadores da região, aqui estão concentrados os melhores bares e restaurantes.
Já anoitecia, o cansaço e a fome davam sinais de impaciência. No caminho entre Rocha e Chuy, passamos por Santa Tereza, lá está o grandioso Forte de Santa Tereza, pudemos observar as suas muralhas iluminadas à distância. Impressionante.
Mais um comentário de nosso ‘guia’ Rogério; ‘ Vocês vão ver uma pista de aviões aqui no meio da estrada’. Eu não entendi direito como seria, mas me mantive atenta. De repente ele grita ‘aqui, aqui’! E não é que a estrada vira uma pista de aeroporto, mesmo! A pista alarga absurdamente, desaparece o acostamento e o asfalto ‘preteia’, de repente aparecem sinalizações horizontais iguais as de uma pista de aeroporto, incrível. Esta sensação de estar num avião em trabalho de decolagem extende-se por 2 km. Segundo informações esta pista é uma ‘Pista de Emergência’, inicialmente criada na Suécia nas autoestradas. Muito interessante. Como estava muito escuro e passamos rapidamente pela pista, como um avião ao decolar, não há imagens.
Chegamos ao Chuy/Chuí (UY/BR) e por sugestão do tripulante Carlos Simões seguimos rumo ao seu hotel favorito. Mais uma vez a sorte esteve presente, havia acomodações para todos, em menos de meia hora depois o hotel lotou.
Marcamos de nos encontrar no lobby do hotel para sair e jantar.
Nos reunimos em uma cantina no Chuy do lado uruguaio para uma pizza e mais um festival de carnes uruguaias e vinhos. Brindamos mais uma vez a nossa viagem. Muita emoção, promessas de reencontro e principalmente brindamos às amizades, pois muitos integrantes do grupo não se conheciam até o início da caravana.
Na manhã seguinte fomos às compras nos ‘free-shop’, não tivemos tempo de cumprir a lista de presentes em Buenos Aires, o evento não permite.
Automóveis com calibragem reforçada e seguimos viagem rumo a Porto Alegre.
Paramos em um posto de serviço para abastecer e as últimas fotos.

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Encerramos um curto diário desta que foi a estréia da caravana dos amigos gaúchos, carioca de alma paranaense e curitibana. Foi simplesmente sensacional. Um grupo de velhos e novos amigos que se organizaram e escolheram os seus melhores automóveis para encarar este desafio. Fomos recompensados em todos os sentidos. O segredo? Gente da melhor qualidade, o respeito mútuo, o bom humor, o conhecimento, a humildade nas relações e também a responsabilidade em colocar na estrada o automóvel com a manutenção em dia gerando confiabilidade. Parabenizo e agradeço a Rodrigo Cirne Lima e Mauro José Weck pela liderança e organização ao conduzir este projeto. Mario Leão por vir desde Maceió com tanta disposição para integrar esta caravana. Agradeço especialmente a José Eduardo ‘Dudu’ Alvares’ e seu filho Eduardo por organizarem a nossa estada e embarque desde Colônia del Sacramento, e também por ter me conduzido no seu impecável Ford Victoria 1953 até Buenos Aires e mais; por se disponibilizar em me aguardar do outro lado quando alterei o meu retorno. Conviver por sete dias com o grande e antigo amigo Juca Muricy foi uma lição de vida.
Meu amigo e companheiro de rallies Rogério Franz reservou uma surpresa agradável a todos nós, a sua namorada Laila, a guria de riso fácil que conquistou a todos. Até a próxima aventura, repetindo este roteiro e também traçando novos. Um grande abraço a todos!
Elisa Asinelli do Nascimento
elisa@antyqua.com.br
Antyqua
Outubro 2011
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